Após uma pandemia mundial, pensar-se-ia que as Nações iriam finalmente juntar forças e prosperar em conjunto. Contudo, o que nos divide parece frequentemente ser mais forte do que o que nos une. E porquê? Porque é que como espécie não somos capazes de evoluir suficientemente para resolver os conflitos de forma criativa em vez de forma destrutiva?
A principal causa (e a razão subjacente a todos os aspetos relacionados com) a perpetuação da guerra é falta de consciência emocional.
Enquanto não formos capazes de lidar com as nossas emoções de forma aberta e limpa, o conflito interno e, consequentemente, os conflitos externos vão permanecer.
As sociedades foram criadas de homens e para homens. Tal significa que a base do modelo pré-estabelecido em que vivemos não respeita o ciclo de cada membro da sua população, nem as suas necessidades emocionais.
O dinheiro e o lucro são os principais pontos de atenção, pelo que os traço biológicos foram atirados para o lado como inconvenientes de forma a servir a contínua exigência de progresso e produção.
Cultivar espaço para ser é da maior importância. Ser é uma questão de respeito pelos ciclos em vez de uma questão de fazer. Tempo para ser é a base da criação, pois a criação vem do ser.
O que ocorreu nas nossas sociedades foi que estabelecemos um modelo onde todos deveriam ser iguais a partir da base existente. No entanto, as sociedades são baseadas no que se poderia chamar de valores “masculinos” em que competição e atingir algo são mais importantes do que cooperação e desfrutar de algo, o que basicamente significa que ter e fazer têm prioridade sobre ser e desfrutar.
Tudo começa na infância. Experienciamos alguma forma de trauma e é tão doloroso que os nossos mecanismos de defesa mentais encontraram uma forma de reprimir.
Não lidar com as nossas emoções cria tensão no corpo e faz com que entremos num estado de vítima, tomando uma de duas formas ou ambas: queixume ou culpabilização. Ou estamos perdidos em auto-comiseração, ou estamos a projetar a nossa raiva no mundo culpando as pessoas e os eventos à nossa volta.
A perpetuação da violência é resultado de uma sociedade sobre-competitiva incapaz de resolver os seus conflitos com diálogo e soluções mutuamente benéficas.
A competição é baseada numa mentalidade de escassez onde os seres humanos acreditam que: não têm o suficiente, não são o suficiente, precisam de tirar de alguém para terem e sentem que têm de eternamente perseguir algo externo para serem felizes.
A competição é uma característica masculina no sentido em que os homens estão geralmente mais interessados em jogos onde alguém ganha e alguém perde. Isto tornou-se evidente após diversos estudos comportamentais ao longo das últimas décadas onde se observou que os meninos tendem a preferir atividades e jogos onde a competição é a chave e as meninas tendem a preocupar-se antes com o bem-estar de cada membro do grupo preferindo jogos onde todos sejam incluídos de forma harmoniosa na atividade.
A masculinização das mulheres foi prejudicial para os homens contribuindo para a sua perda de identidade. Tal levou a frustração e a raiva, podendo gerar depressão e mais violência, bem como uma sensação geral de falta de sentido ou propósito. Numa sociedade masculina onde as mulheres são iguais aos homens o que podem os homens oferecer? O que resta para um homem fazer ou ser? Como pode um homem ser homem numa socieade onde as mulheres são forçadas a ser mais como homens?
É necessário “feminilizar” as sociedades no sentido de criar equilíbrio entre masculino e feminino. Isto não é (só) sobre homens e mulheres, mas sim sobre equilibrar os nossos polos internos.
É necessário reestruturar a conexão entre tempo e dinheiro e estabelecer diferentes modelos de ter, fazer e ser. Precisamos de nos reeducar para escolhermos consistentemente novos caminhos que nos levem a resultados diferentes.
Investir em hábitos de saúde mental permite-nos transformar os desafios em oportunidades e criar um modelo de sociedade que respeite ativamente o ciclo de cada ser humano. Em vez de canalizar a energia da necessidade de competir para a guerra, podemos usá-la para “competir” connosco próprios e prosperar como comunidade.
Para tal, é necessário investir em consciência emocional. Só quando estivermos verdadeiramente conscientes das nossas emoções pararemos de as projetar no mundo.
Temos de tomar responsabilidade pelos nossos sentimentos, vê-los pelo que são e assumi-los em vez de nos queixarmos deles ou de culparmos algo ou alguém por eles. Quando começamos a limpar as nossas feridas, podemos finalmente deixar de ser escravizados pelas nossas emoções.
Tal como nenhuma mulher enviaria o seu filho para a guerra, nenhum homem emocionalmente consciente enviaria o seu filho para a guerra.
Libertarmo-nos das emoções significa tomar 3 ações de forma consistente:
1. Libertar a energia presa no corpo através de movimento corporal ou qualquer forma de trabalho corporal.
2. Passar mais tempo na natureza. A nossa desconexão da natureza torna-nos cada vez mais paranóicos, bem como mais sozinhos do que nunca, acreditando nas nossas construções mentais do mundo, em vez de vivenciar o mundo em si próprio.
3. Canalizar a nossa energia para ação criativa, tal como alguma forma de arte. A arte é verdadeiramente curativa e uma das melhores formas de terapia disponíveis para nós. Não é à toa que a palavra artesão (arte+são) existe.
Combinar estas 3 atividades ajuda-nos e cria mudança duradoura nas nossas vidas.
A consciência emocional é a resposta para acabar com todas as guerras. É a resposta para criar sociedades que vão encontrar melhores formas de resolver os seus conflitos. Os conflitos são a base da evolução.
Se não existissem conflitos estaríamos estagnados. A forma como lidamos com o conflito é o que altera o resultado e o que nos diferencia de todos os padrões anteriores.
Cada conflito é uma oportunidade para evoluir.
E a resposta não está lá fora, a resposta não é sobre algum líder mundial poderoso. A resposta está aqui! Começa comigo e contigo. A questão é: estamos preparados para resolver os nossos conflitos internos? Só quando lidamos com os nossos conflitos internos de forma adequada é que os conflitos externos terão a chance de ser resolvidos. ♡

