Entrevista com Bart Ensing sobre Horários Laborais

O trabalho é uma das atividades onde passamos mais tempo. Como tal, é importante olhar ativamente para as nossas atividades profissionais e para a forma como a sociedade estruturou os horários de trabalho. O tempo está a ser cada vez mais um motivo de preocupação para as gerações atuais (e talvez até seja a chave para explicar o paradigma de sucesso dos Millennials).

O Bart Ensing já tinha sido entrevistado para o Skin at Heart no tópico da meditação. Desta vez, ele partilha a sua perspetiva sobre os horários laborais e as mudanças emergentes nessa área. Esta é uma oportunidade para reflectirmos o tema do tempo e a maneira como o gerimos nas nossas vidas.

 

1 – Recentemente começaste a trabalhar 4 dias por semana e a ter as Quartas como dia livre. O que te levou a fazer isso? Como te sentes em relação a esse novo horário?

Até agora tem sido excelente! Um dia de descanso durante a semana tem variados benefícios e não só como empregado, mas também como empregador. Parece que estamos a viver duas vidas simultaneamente hoje em dia: a nossa vida real e outra vida online. Há tantas coisas para gerir e se não conseguirmos gerir o nosso tempo e focar-nos adequadamente podemos ficar sobrecarregados. Eu vejo isso a acontecer à minha volta: as pessoas a tornarem-se zombies no comboio: a trabalhar nas suas vidas sociais, a consultar o seu e-mail, a planear a próxima sessão social. A longo prazo, as pessoas começam a mostrar sinais de exaustão e podem acabar com um esgotamento ou sintomas similares. O corpo diz-lhes que é tempo de dar um passo atrás, mas elas não vêem isso a chegar. Por isso, para não passar meses em recuperação, pode ser sensato pensar num equilíbrio trabalho-vida pessoal. Estou a descobrir que para gerir e viver a minha vida como eu quero, tenho de ter mais tempo para mim do que o regular 2 dias ao fim-de-semana. Por isso comecei a tirar as Quartas para poder fazer coisas como esta entrevista 🙂 Passar o tempo a pôr a casa em ordem, literalmente e figurativamente; inscrevi-me em lições de natação e de guitarra, leio livros sobre desenvolvimento emocional e faço os meus treinos de desporto mais longos. Também é o dia em que não sou perturbado enquanto giro o meu email pessoal e administro as coisas de mercearia. Basicamente, tirar este dia para mim para que eu possa crescer a nível pessoal, para que eu possa estar totalmente focado nos meus dias de trabalho e para ter o fim-de-semana para me dedicar a atividades sociais.

 

2 – O que achas que necessita ser alterado nos velhos modelos de horários laborais?

Duas coisas:
1- Durante a revolução industrial na Grã-Bretanha, havia um movimento chamado 8-horas de trabalho por dia. Em suma, as pessoas (incluindo crianças) estavam a trabalhar 10 a 16 horas por dia e acabavam exaustas e magoadas (ou mortas). Como resultado, as 8 horas de trabalho foram inventadas com menos acidentes e ferimentos como resultado. As condições de trabalho melhoraram dramaticamente, no entanto, algumas centenas de anos depois o nosso trabalho mudou completamente, mas as horas de trabalho continuam a ser as mesmas. Neste economia baseada no uso do cérebro, não podemos ser eficientes por oito horas por dia e as companhias deveriam compreender isto. Eu sou um grande fã das seis-horas de trabalho por dia e quem é que não quer ir para casa às 3h da tarde? Passar menos tempo no trabalho significa que se é mais eficiente no planeamento e execução do nosso trabalho e há menos e menos tempo para engonhar. Mas eu acho que fazer (ou não fazer) estas coisas vai tornar os trabalhadores mais felizes.
2- As pessoas também podem levar os assuntos nas suas próprias mãos ao optarem por trabalhar menos horas. E, claro, isso pode não ser possível para todos, porque as contas têm de ser pagas, mas as pessoas têm tendência para gastar a maior parte do seu dinheiro independentemente de quanto ganham. Por isso, prestem atenção ao vosso padrão de gastos. É possível reduzir os custos em 10%? Excelente, acabou de dar a si próprio a liberdade de trabalhar menos meio dia por semana.

 

3 – Como achas que esta mudança vai acontecer de forma realista e sustentável? O que vai requerer dos Governos e das pessoas?
 
Eu não sou um tipo muito ligado a leis, por isso não pensei muito como é que os governos podem ajudar a fazer a mudança para um melhor balanço casa-trabalho. No entanto, gastar menos dinheiro nos resultados de uma sociedade esgotada e começar a gastar mais dinheiro a prevenir esse esgotamento pode ser um bom começo. Pode ser uma ideia começar programas sobre como lidar com esta vida caótica do terceiro milénio e ver se podemos implementar mais benefícios fiscais para as pessoas que não trabalham 40 horas por semana. Para as pessoas, em geral, eu diria: a sério pensem mesmo no que necessitam em termos de tempo para vocês próprios e o dinheiro que gastam e não olhem para os vossos pares para decidir os vossos padrões. Atrevam-se a ser diferentes e a inspirar os outros a fazerem o mesmo.
 
4 – O quê que significa gestão de tempo eficiente nos dias de hoje? Como podemos usar o tempo de uma forma mais significativa e, como tal, moldar a forma como vemos o tempo como sociedade?
 
“Há apenas 24 horas num dia” é algo que se ouve frequentemente. Isto provavelmente aponta para todas as coisas que as pessoas têm na sua lista de afazeres e a falta de tempo que têm na sua percepção. Eu acho que descobrir onde dizer “sim” e “não” é crítico para gerir o tempo. Se está a responder a todos as mensagens e chamadas no momento em que chegam, está efetivamente a trabalhar na lista de afazeres dos outros em vez de na sua própria lista. Nesse caso, separar as duas linhas – online e offline – pode ser um excelente exercício para começar. E eu estou a descobrir como fazer isso por mim próprio, mas experimentar um pouco dá grande conhecimento. Esta semana eu não estou a olhar para ecrãs planos depois das 6 da tarde, o que significa que computador, tv (eu não tenho uma, por isso esta é fácil) ou telefone não são usados à noite. Isto muda completamente a sua noção de tempo! Ajuda-o realmente a ver o que está à sua volta e toda a inspiração tem de vir de si próprio. Se quiser dar a si próprio uma semana de bem-estar mental, esta medida dar-lhe-á exatamente isso!
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