Entrevista com a Terapeuta Holística Integral Branca Amorim

Conheci a Branca há cerca de dois anos num workshop de Aromaterapia que liderei com a Florbela Lages, responsável pelo Centro Educativo INGAH, e que teve lugar no Human Light, um espaço muito agradável, rodeado pelo misticismo da natureza e com uma energia incrível! Mas foi apenas recentemente, que os nossos caminhos se cruzaram com maior intensidade, sendo que vim a descobrir que temos percursos bem semelhantes. Fiz uma meditação xamânica com a Branca e adorei! Foi uma noite muito forte de cura e conexão.

A Branca Amorim tem um percurso notável e inspirador e é diversas vezes apelidada de “Engenheira da Luz Humana”! Na sua presença sentimos uma energia forte e mística que nos contagia com serenidade. Já escreveu diversos artigos para a revista Zen Energy e tem disponível no site Human Light o e-book Como Liderares a Tua Vida (cuja leitura recomendo!), para além das newsletters de consciência e sentido de humor!

Nesta entrevista, vamos partilhar um pouco mais da visão deste ser humano vibrante que irradia luz! Obrigada Branca!

 

1 – Podes falar-nos um pouco do teu percurso: da engenharia ao xamanismo?

Bem, esta resposta daria um livro inteiro para poder explicar o percurso! No meu site, podes encontrar a história mais ou menos explicada.

Posso resumir dizendo que uma menina bem comportada, entrou na universidade para um curso nada comum para uma menina na altura. Éramos 75 caloiros, 7 meninas! Ahahahah
Eu era uma miúda de 18 anos que nunca tinha saído da aldeia pequenina, onde tudo (e todos!) tinha de seguir as normas (ir à missa, limpar a casa ao sábado, namorar só ao fim de semana e sair à noite nem pensar…). O curso deu-me perspectiva de que eu era bem mais que apenas uma miúda bem comportada… Cresci, pela experiência social-académica. Vivi a vida académica, sem pudor e sem castramento (para a altura), sempre mantendo a menina bem comportada espelhada nas notas.

Mas quando acabei o curso voltei ao estado das normas… emprego, casamento, filhos… A via profissional abriu-me completamente para a transformação da menina bem comportada da aldeia para a mulher eficiente no mundo dos negócios, e maioritariamente dentro de universos masculinos. Foram anos muito interessantes, muito proveitosos pelo sucesso e reconhecimento, mas ao mesmo tempo ia tomando conta de mim uma tristeza que não sabia explicar… aumentou, aumentou e explodiu!!!!!! De uma mulher eficiente e super racional, vi-me “obrigada” pelas minhas emoções a procurar algo diferente para tentar que eu mesma me entendesse. E aí passei para a fase da mulher guerreira em terreno desconhecido… Quando me descobri e comecei a sentir-me viva por dentro, a sede de conhecimento foi aumentando, e as coisas iam surgindo no meu caminho sem eu fazer muito esforço. Desde a primeira experiência que uma palavra aqui, outra ali, me faziam pesquisar e assim fui encontrando diferentes métodos, diferentes ideologias, umas mais esotéricas, outras mais científicas, e fui-me identificando com pequenas partes de cada uma, outras não, e formando a minha própria “ideologia”/visão sobre as coisas. Foram tantas as formações, os workshops, as terapias, os encontros e desencontros na vida pessoal, que hoje posso dizer que, sem estar realmente alinhada com a minha vontade interna na minha Terra, na minha vida no momento, nenhuma delas levaria a qualquer mudança. Foi um percurso bem doloroso, confesso, mas sem dúvida levou a que a minha vida hoje se faça valer a cada minuto que vivo.

 

2 – Em apenas um parágrafo, como descreverias o xamanismo?

Para mim e, segundo a minha experiência, o xamanismo é a conexão com a tua própria natureza, é assumires que fazes parte do Todo no sentido direto da expressão – os elementos estão em ti e tu estás neles. Não existe a natureza e nós, em separado; existe unicamente um organismo natural do qual todos fazemos parte, e através do xamanismo (este que pratico, sem recorrer a nenhum tipo de substância e mantendo apenas a conexão com os ciclos e elementos) tens acesso à tua Terra que é o teu corpo, à tua Água que são as tuas emoções, ao teu Ar que é a tua respiração e ao teu Fogo que é o teu espírito, a tua essência. Com isto, consegues atravessar um caminho seguro de enraizamento, de conexão espiritual muito profunda sem nunca deixar de estar a viver a vida onde te encontras, pois (re)aprendes a respeitar os ciclos naturais e a viver cada momento da tua vida com respeito máximo por tudo que tens à tua volta, seja bom ou menos bom, assumindo literalmente a tua própria responsabilidade pelas pegadas que deixas.

 

3 – Qual o papel da meditação no bem-estar de uma pessoa? 

Para mim, a meditação é um mito na forma como ela normalmente é apresentada. E sou muito frontal nisto que digo porque, mais uma vez segundo a minha experiência em acompanhar pessoas, para muitos é uma pressão enorme o ato de meditar na sua forma tradicional. A meditação é benéfica quando ajustada à energia de cada um, e mais do que estar em silêncio de olhos fechados, é a intenção que move todo o resultado duma meditação. Então, respondendo diretamente à tua questão, a meditação pode não ter nenhum papel ativo na vida de alguns indivíduos… Por isso, volto a referir, que após a conexão com a nossa Terra, a nossa vida, e a aceitação pelos factos que atravessamos, conseguimos chegar a um ponto onde aceitamos o silêncio interior. Aí sim, estamos prontos para meditar. E aqui meditar, como digo tanto nos grupos que facilito, pode ser muita coisa – cada um deve encontrar a forma “certa” de se conseguir conectar interiormente, estando apenas na sua própria energia. Fazer meditação apenas porque queremos iniciar um caminho, e começar por aí porque é uma “moda”, ou está provado que faz bem, passa a ser uma medicação e não um ato genuíno de meditar – não vai resultar em nenhuma mudança interna (ou benefício) eficaz, apenas algo transitório e que mascara a real causa do sofrimento em que se encontra.

 

4 – Como nos podemos conectar mais com a Mãe Terra e que métodos podemos usar para aguçar mais a nossa intuição?

Bem, parte desta resposta está na questão atrás (2). Para estares mais conectada com a Mãe Terra é necessário que, acima de tudo, te respeites a ti mesma como um corpo cuja função é importante para o bom funcionamento de todo o planeta. Digo isto vezes sem conta e corro até o risco de ser repetitiva, mas se imaginares que és uma célula dum órgão do corpo, a melhor conexão é quando estás a manifestar o teu papel, a tua função específica para que esse órgão funcione em pleno, para que também o corpo Terra esteja em equilíbrio… Se te analisares desta forma, se todos nos sentirmos desta forma, como células de um órgão que por sua vez pertence ao grande corpo Planeta Mãe Terra, conseguiremos facilmente concluir e sentir o que fazer, e o que mudar se assim for necessário, para que a conexão seja a melhor possível. Quando conseguimos aceitar o papel que temos individualmente (o país onde vivemos, a família onde nascemos, a vida que estamos a viver no momento, etc, etc…) sem nos compararmos, aí estaremos em conexão profunda com a Mãe Gaia, e muito especialmente estaremos a vibrar na frequência da nossa essência.

Com isto aguçamos a nossa intuição, porque deixamos cair as máscaras e principalmente as expectativas – dois grandes “inimigos” da intuição… Não existem métodos específicos, porque cada pessoa, cada célula ou órgão, operam de formas diferentes. Por isso, na minha experiência e na minha visão, o mais importante de tudo é o que descrevi atrás.

 

5 – Com as vidas rápidas que se levam actualmente, o que podemos fazer activamente e consistentemente para promover saúde e consciência?

Conectar-nos com a nossa Terra! Deixar que as experiências que estamos a ter no momento presente, mesmo nestas vidas rápidas, nos mostrem o caminho, porque o corpo é sábio e ele mostra. Só não sente (vê) quem se recusa Ser Humano. O que infelizmente é a epidemia do século… Somos Seres Humanos, porque a maior das funções que nos foi dada foi Sentir! E nós, seres que teimamos em agir apenas como pensantes, vamos destruindo pouco a pouco essa saúde e consciência sem sequer nos darmos conta… porque teimamos em caminhar adormecidos. E não, não falo de cor… falo por experiência! Quando descobrirmos que estamos adormecidos, aí sim, podemos acordar e viver na nossa Terra em consciência.

 

6 – Podes falar-nos um pouco destes teus dois mantras “queres ter razão ou ser feliz” e “ou te escolhes a ti ou te excluis a ti” e como fazem a diferença? Que mantra de vida dirias que é mais necessário e actual, mais útil nas sociedades e dias em que vivemos para cada ser humano trazer consigo?

Qualquer um desses que mencionas referem-se apenas ao ser indivíduo e não em comparação com outro.

No que toca ao primeiro (“queres ter razão ou ser feliz”), experienciei muitas vezes situações em que a vida me testou ao limite e em todas elas cheguei sempre à mesma conclusão: a teimosia mental é lixada! Foi com esse primeiro ‘mantra’ que me auto-consciencializei – que percebi que andava adormecida. O ter razão aqui fala do nosso ego, da nossa racionalidade, e o ser feliz fala do sentir, da conexão contigo mesma a um nível desconhecido para a mente.

Quanto ao segundo (“ou te escolhes a ti ou te excluis a ti”), ele reflecte a dura realidade que temos que enfrentar após o estado adormecido – damos de caras com a visão das nossas sombras, aquelas que a mente racional não te deixa ver, nem ouvir. Escolher ou excluir, significa ou te aceitas tal como és, do lado mais negro ao lado mais luminoso, ou continuarás adormecido correndo o risco de caíres num abismo. Para te escolheres assumes-te integralmente e começas o doloroso caminho de te amares verdadeiramente sem necessitares dos outros para esse amor (próprio). Para te excluíres, manténs-te na tua zona de conforto, alimentando a necessidade do amor dos outros, pois sem eles não és ninguém, acreditas tu, ou melhor a tua mente faz-te acreditar.

Se pudesse escolher um mantra para a os dias em que vivemos, poderia pegar numas palavras que ouvi de uma atriz brasileira “Vive e deixa viver”, mas acima de tudo “sente-te e vive seguindo as orientações desse sentir”.

 

 

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