Entrevista com Susana Matias, criadora de A Hora das Mães

Eu conheci a Susana Matias na Tailândia quando ela estava a completar um Curso de Instrutora de Qigong no Tao Garden. Nós tivemos uma conexão imediata, dada a multitude de temas que temos em comum.

A Susana é a criadora de A Hora das Mães, um blog e podcast totalmente dedicado a super-mulheres reais: Mães! A Susana é mãe de duas crianças e desenvolveu também um programa de Yoga e Meditação para os mais pequenos. 

Dada a variedade de atividades e projetos e a presença carismática com quem se cria facilmente empatia, a Susana é uma mulher inspiradora que eu tive a honra de entrevistar.

 

1 – Como surgiu A Hora das Mães?

A Hora das Mães surgiu da minha vontade de partilhar as coisas fantásticas que andava a aprender, principalmente coisas que comecei a procurar e começaram a despertar o meu interesse depois de ter sido mãe.

Como sempre achei que não tinha jeito para escrever considerei a possibilidade de falar, e abordei a rádio Gilão nesse sentido. Tive sorte e eles deram-me abertura para criar uma rúbrica semanal. Assim, surgiu o apontamento semanal onde pretendia partilhar temas que faziam parte do meu percurso e que de alguma forma me ajudaram. Achei que também era um bom mote para fazer entrevistas e trazer especialistas, ou conhecedores/exploradores, desses temas para falarem um pouco da sua experiência e conhecimentos.

A ideia era também levar as pessoas a pensar/reflectir sobre assuntos que naturalmente não pensamos (eu não pensava antes), coisas fora da caixa, lembrando sempre da importância de parar e colocarmo-nos na nossa própria agenda, de cuidarmos de nós e do nosso “sentir” para melhor cuidar/educar/conduzir/ viver com os outros.

 

2 – Podes partilhar um pouco da tua experiência com meditações para crianças? De que forma é que este trabalho ajuda os mais pequenos?

As meditações com as crianças é algo que faço integrado num projecto que surgiu no ano passado chamado Ginásio do Eu. Uma vez por mês vou às escolas e promovo uma oficina de Yoga e Meditação com as crianças (agora também tenho incluído alguns conhecimentos de Qigong). E é simplesmente mágico ver crianças, a partir dos 12 meses, a ficarem por momentos focadas no seu sentir, seja no som de uma taça, seja de uma viagem guiada. A meditação para as crianças tem normalmente a duração equivalente à sua idade. E nas aulas alternamos entre momentos de maior foco e momentos expansivos, através de jogos e meditações activas.

A maioria das crianças começa por revelar dificuldade em fechar os olhos, mas neste segundo ano de projecto já temos muitas crianças que sentem necessidade de fechar os olhos, que já sabem parar e respirar, e é sem dúvida mágico.

Estas aulas não pretendem criar crianças mais calmas, mas sim mais conectadas consigo próprias. Dotar as crianças de mais ferramentas e mostrar que as podem usar em qualquer situação e lugar, de forma a voltarem a si e ao momento presente. A saberem que podem sempre parar e respirar antes de agir, que isso não as enfraquece apenas as torna mais conscientes, presentes e autênticas.

 

3 – Podes partilhar um pouco da tua experiência com o Qigong e de que forma sentes que beneficiaste com esta prática?

O Qigong entrou na minha vida por acaso, daqueles acasos/coincidências que não existem mas muitas vezes dizemos que sim! Fiz uma aula de Qigong em Bali e quando decidi que queria ir tirar um curso fora de Portugal, algo que me permitisse mergulhar num mundo diferente, numa filosofia diferente e que me fizesse sair da minha zona de conforto, foi a primeira coisa que me fez sentido explorar e aprender mais.

Assim, fiz a certificação de instrutora de Medical Qigong pela escola White Tiger Qigong na Tailândia, 3 semanas intensivas onde durante 6 horas diárias estava em formação.

Foi sem dúvida uma experiência transformadora, se já acreditava muito no nosso poder de auto-cura fiquei com a responsabilidade ainda mais acrescida, quer de cuidar de mim quer de transmitir esses conhecimentos aos meus filhos.

A prática de Qigong permite-me ter um conhecimento mais profundo do meu próprio corpo, a cada momento, permite libertar uma série de emoções e bloqueios, permite-me ser e estar mais focada, afinal para onde vai a nossa atenção flui a nossa energia, e esse trabalho de foco e concentração é muito útil pois permite-me focar no que realmente me interessa, estar em constante melhoria contínua e em ser uma melhor versão de mim mesma a cada dia.

 

4 – De que forma é que as viagens que fizeste mudaram a tua vida?

Já tinha viajado sozinha por alguns locais na Europa, e sempre me identifiquei muito com essa liberdade, embora também adore viajar com os meus filhos!

Este ano decidi aproveitar os momentos que eles não estavam comigo para viajar para mais longe. Em Março fui uma semana para Bali, adorei a experiência, conheci coisas e pessoas fantásticas, apaixonei-me por aquela terra, aquela energia.

Quando decidi que ia fazer o curso na Tailândia, começava em Setembro, e uma vez que os meus filhos não iriam estar comigo a partir do dia 20 de Agosto, decidi ir logo para o outro lado do mundo e aproveitar para voltar a Bali, aquele lugar mágico que espero conseguir voltar sempre que possível!

Viajar faz-me sempre querer viajar mais, conhecer mais sitios, regressar aos locais que gostei…

Viajar permite conhecer outras realidades, viver noutras condições, de certa forma desaprender quem sou e perceber quem posso ser!

 

5 – Que últimas palavras gostarias de partilhar com o Skin at Heart no sentido de promover saúde e bem-estar diariamente?

Eu não acredito em fórmulas mágicas, já vi vários tipos de rotinas, de rituais, de formas de estar e viver diferentes que resultam com quem as pratica.

Acredito sim que cada um deve encontrar a sua rotina, a rotina que resulta consigo, sabendo que para percebermos se está ou não a resultar temos que dar oportunidade a que hajam momentos de parar e sentir, momentos de verdadeira conexão connosco mesmos – essa parece-me ser a única fórmula mágica – que de verdade pode ser diferente para cada um de nós!

Assim, ter uma rotina definida que inclua o auto-cuidado, conexão e gratidão parece-me ser a melhor promoção de saúde e bem-estar. Por isso sugiro que comecem a procurar o que para vocês faz sentido e a adoptar a rotina, adaptando ao vosso sentir, intenções e necessidades.

 

Estou grata à Susana por esta inspiradora entrevista. Obrigada!

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