Terceira Semana do Curso de Professora de Yoga: O que estou a fazer aqui?

Esta semana foi dura. Fazer o pino com a cabeça, fazer o pino com os braços, estender o período do visto (o que em si próprio dava um post, foi uma grande aventura, algo que demoraria apenas um par de horas e acabou por tomar um dia inteiro) e o nervosismo crescente pela antecipação do exame. Houve um dia em particular que foi muito duro para mim e para compreendermos porquê temos de viajar umas semanas para trás quando eu estava a terminar o curso de Massagens com Óleos e Aromaterapia e me magoei severamente no ombro. Após uma visita ao hospital com a incrível ajuda de um anjo que apareceu no meu caminho e a quem estarei eternamente grata (as pessoas são incrivelmente simpáticas aqui e eu sinto-me realmente abençoada por estar rodeada de seres humanos maravilhosos), alguns dias de dores excruciantes, os músculos começaram a sarar e tarefas básicas como lavar os dentes, vestir uma t-shirt ou lavar o cabelo tornaram-se normais outra vez. Portanto, o meu ombro ainda está a recuperar quando eu decido inscrever-me num Curso de Instrutora de Yoga (talvez não tenha sido a minha melhor ideia de sempre, mas voltaremos a isso em um outro post brevemente).

O dia que foi particularmente duro para mim, foi o dia do pino com os braços: ali estava eu, observando todos, com o meu ombro a fazer notar a sua presença no meu sistema nervoso devido aos treinos intensivos das últimas semanas. Foi frustrante! Não que eu conseguisse fazer o pino se não fosse a condição do ombro, mas poderia – pelo menos – ter tentado. Também me estava a sentir um pouco isolada da maioria dos meus colegas. Começava a questionar-me: afinal o quê que eu estou a fazer aqui?

Felizmente eu fui capaz de me comprometer com a visão da pessoa que quero ser e elevar-me com todas as atividades de que me pude lembrar: escrever sobre as minhas emoções, escrever no diário da gratidão, escutar as minhas listas de música revigorante (mudam o humor de imediato), dar longos passeios pelo meu lugar favorito: a praia, apanhar conchas para levar o mar comigo para o meu próximo destino, falar com os meus amigos à distância (a quem estou eterna e profundamente grata por me apoiarem durante todo este percurso) e relembrar-me que, embora por vezes possa parecer que estamos sozinhos, nunca estamos verdadeiramente sós, pois trazemos connosco cada pessoa que se cruzou no nosso caminho e, mesmo as pessoas que já não estão connosco, existem dentro de nós. Ao pensar na minha Avó, senti-a feliz, senti a sua presença aqui comigo e relembrei aquela bela passagem de Miguel Sousa Tavares:

“E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.”

Também comecei a focar-me nas pessoas incríveis que tenho à minha volta e comprometi-me verdadeiramente a ajudar algumas delas e elevá-las, sem adoptar os seus medos ou quaisquer emoções que elas possam estar a atravessar (um dos maiores desafios dos empatas é tomar a distância necessária para não se deixarem identificar com as emoções e experiências que quem os rodeia possa estar a enfrentar).

No final, acabou por ser outra semana incrível e aprendi seis lições importantes. Aqui estão elas:

 

1 – Dharma ou a Incrível Arte da Aceitação

Um dos livros obrigatórios para o curso é o Bhagavad Gita. Esta semana tivemos as sessões de discussão do livro. Uma coisa que ficou comigo quando li este clássico, foi este excerto, que se tornou mais claro durante esta semana:

“Um sábio, sentado junto ao Ganges, nota um escorpião que caiu na água. Ele inclina-se para o salvar, e é picado. Algum tempo mais tarde, ele olhar para baixo e vê de novo o escorpião a afogar-se na água. Mais uma vez, ele inclina-se para o salvar e, de novo, é picado. Um transeunte que observava tudo isto, exclama: “Sábio, porque continuas a fazer isso? Não vês que a criatura só te vai picar de voltar?” “Claro”, responde o sábio, “É o dharma do escorpião picar. Mas é o dharma do ser humano salvar.”

Duas coisas aqui:

1 – Aceitar os outros como eles são, torna a vida não só muito mais fácil, como retira o peso de expectativas que se possa estar a carregar em relação a alguém. Só porque ajudámos alguém ou estivemos lá quando alguém precisou, não quer dizer que a pessoa vá fazer o mesmo. E isso está ótimo! Porque se deve fazer pelo prazer de o fazer ou porque aceitamos o nosso dharma (e consequente comportamento) em relação a uma dada situação e não porque estamos a agir na expectativa de receber algo de volta.

2 – O facto que o nosso dharma (ou a nossa natureza) seja de uma determinada maneira, não quer dizer que não possamos evoluir e desenvolver e melhorar. Podemos! E o primeiro e talvez mais importante para isso mudar algo: é aceitar as coisas como elas são, aceitar-mo-nos como somos hoje! Apenas nesse momento, poderemos melhorar o nosso Dharma se tal for necessário.

 

2 – O Yoga é como a Matemática

Quando eu estava no meu último ano do liceu, recordo-me que a Professora de Matemática, no início do ano lectivo, quando ainda tinhamos todo o tempo para o exames nacionais disse: “A Matemática não entra pelos vossos olhos, entra pelas pontas dos vossos dedos a fazer exercícios. Não precisam de fazer uma maratona de exercícios por dia. Basta fazer um por dia. Mas tem de ser feito!” Ela tinha razão! Essas sábias palavras sempre ficaram comigo ao longo dos anos. E também tem razão o meu Professor de Yoga, o fantástico Johnny Nasalo, quando ele diz: “Todos os dias vocês aparecem ao vosso tapete.”

De facto, aparecer ao nosso tapete de Yoga faz a diferença e ao fim de três semanas nota-se em termos de força e resistência (e algum dia se irá notar em termos de flexibilidade) e também nos re-compromete com a pessoa que queremos ser, a cada respiração, a cada movimento, a cada prática, em cada dia em que aparecemos no nosso tapete.

 

3 – “Não podemos salvar os outros, apenas os podemos amar.”

Às vezes, há pessoas que me lembram daquela cena do Magic Mike XXL quando ele está a tentar fazê-la sorrir (e ele tem de se esforçar muito para deleite dos espectadores) até ela finalmente mostrar os dentes. Acho que há simplesmente pessoas que são assim: não são fáceis de fazer sorrir, não importa quanto sorrisos, elogios ou piadas se lhes atire. Mais uma vez: a incrível arte da aceitação! Até porque não sabemos nada sobre a viagem que essa pessoa está a percorrer.

Então aqui, tem-se duas escolhas: ficar frustrado e até inseguro ou focar-se nas pessoas que importam e que estão mais alinhadas com as vibrações que estamos a (tentar) por no universo. A insegurança vem frequentemente da necessidade de agradar os outros, que pode ser uma causa busca de de amor/aprovação. E citando a esposa de P.T. Barnum em The Greatest Showman: “Tu não precisas que o mundo inteiro te ame. Apenas algumas boas pessoas.” Começando por nós próprios. Quando compreendemos isto, não precisamos da aprovação ou amor de ninguém, excepto de nós próprios. E sabemos que connosco próprios, estamos sempre em boa companhia, o que pode levar a momentos como aquela bela cena do A Barreira Invisível:

“Alguma vez te sentes sozinho?

Apenas quando estou no meio de pessoas!”

E a dada altura irradiamos tanto amor que compreendemos que Anaïs Nin, mais uma vez, tinha razão e numa das suas frases sábias expressou brilhantemente: “Não podemos salvar os outros, apenas os podemos amar.”

 

4 – São precisos Dois para Dançar o Tango

Nunca me considerei uma pessoa competitiva. Sempre tentei apoiar os outros e sei que nós nos elevamos sempre que elevamos outros. Nunca fiz parte de actividades particularmente competitivas, apesar de ter dançado durante muitos anos, mas maioritariamente pelo prazer social. À medida que os níveis competitivos subiam, eu tive de dar um passo atrás e questionar-me de onde é que isso estava a aparecer. Era interno ou externo? Só se pode entrar em algo, se aceitar fazer isso. Um pouco como o que Martin Luther King Jr expressou com “Ninguém nos pisará se não dobrarmos as costas.” E como eu também aprendi numa das minhas danças favoritas: “são precisos dois para dançar o tango”. Portanto, apenas adoptamos emoções ou sentimentos de outras pessoas como medo, negativismo ou competitividade se nos permitirmos fazê-lo. E quando se entra por aí, poderemos estar a tomar uma estrada que nos afasta mais e mais da pessoa que queremos ser e podemos estar a agir como um idiota pois estamos a reagir de uma perspectiva de medo ou defesa, devemos dar um passo atrás e observarmo-nos e re-comprometermo-nos em agir de uma perspectiva de abundância e gratidão.

Devemos focar-nos em nós próprios e nos nossos esforços “A única pessoa que deves tentar ser melhor do que, é a pessoa que foste ontem.”

 

5 – A Mente é o Inferno

Jean Paul Sartre revolucionou o século XX com as suas ideias, cuja essência era: “O inferno são os outros.” De acordo, com esta perspectiva, temos de admitir que nesse caso, o paraíso também são os outros. Eu acho que Sartre pode-se ter enganado completamente aqui, pois estamos a aperceber-nos à medida que vivemos e que as pessoas e as situações mudam constantemente num fluir incessante de ciclos que a nossa mente é que é o inferno. Quando compreendemos isso, também temos as ferramentas para entender que a nossa mente é o paraíso também. Quando admitimos isso: rendemo-nos, encontramos a paz e a tranquilidade que tanto queríamos onde sempre estiveram: dentro de nós próprios!

 

6 – A Meditação é a chave!

Então se temos essa serenidade dentro de nós próprios, como fazemos para voltar a ela vezes e vezes sem conta?

Através da prática constante de meditação! Tal como o Dr. Joe Dispenza explicou cientificamente em Como Criar Um Novo Eu, tema que foi parte da entrevista que dei esta semana para o podast de uma das minhas colegas, uma mulher inspiradora, que também tem um blog que irei partilhar aqui brevemente. A meditação é a chave para se passar duma frequência energética mais baixa para uma mais elevada. E no dia a dia, podemos usar mnemónicas, pequenos truques que nos relembrem. Eu uso um objecto, não qualquer objecto, uma pulseira de tecido que uso sempre. Não é pela pulseira em si (apesar de sabermos o quanto eu ADORO pulseiras), embora admirá-la ajude, pois trata-se de um belo objecto com o símbolo de infinito.

A particularidade é que como é um objecto feito de tecido, eu derramo umas gotas do meu óleo essencial favorito. E sempre que volto a cheirar esse aroma, dá-se um click em mim, devido aos extraordinários (provados cientificamente) poderes da Aromaterapia. E essa é a minha mnemónica! Estes são pequenos truques que uma pessoa pode usar na longa e desafiante rota de se tornar mestre da própria mente. Por isso, volte sempre ao seu objecto, tal como as personagens de Inception voltavam aos seus objectos para se relembrarem que estavam apenas a sonhar e que aquilo não era a realidade. Volte à sua paz interior. Isso relembra-me uma parábola taxista de Lao Tze:

Uma vez há muito tempo, eu sonhei que era uma borboleta, a voar leve e alegremente, com todos os intentos e propósitos uma borboleta. Eu estava apenas consciente da minha felicidade como borboleta, inconsciente de que eu era eu próprio. Em breve acordei, ali estava eu, de novo eu próprio outra vez. Agora eu não sei se eu era um homem que tinha sonhado que era uma borboleta, ou se eu sou uma borboleta, a sonhar que sou um homem.

Uma boa semana para todos!

 

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